Por que será que toda conversa comigo termina em discussão?
Não sei se já sabia, mas eu desde sempre tento ser uma pessoa mais maleável possível.
Sempre me adaptei a tudo. Tudo mesmo. Tanto que não tenho estilo próprio ou sonhos individuais. Todos os meus planos sempre têm que envolver a felicidade de outras pessoas.
Mas não ache que não sou feliz. Sim, sou feliz - feliz de verdade. A felicidade me faz continuar tentando, e tentando, e tentando.
Mas por que isso tudo? Bem, é claro que você não vai me entender porque ninguém me entendeu e nunca entenderá. A minha única questão ainda não esclarecida são as primeiras palavras do texto: por que? Então na verdade sou eu quem preciso entender.
Sempre fui um bicho. Acho que todos os apelidos que ganhei na vida beiravam a esquisitice, a estranheza e a dissensão. Não, volto a negar, nunca fui do contra; sempre evitei discórdia e minhas opiniões sempre eram ligadas ao que as pessoas gostariam de ouvir. Mesmo assim eu era o ádvena, alheio a tudo e a todos, sempre desinteressante e incompreensível.
Sabe, eu achei em quem me apoiar há 19 anos já que até então todos se intrigavam com meu jeito de vida e a Ane (minha esposa há 14 anos, 7 meses e 19 dias) me aceitou da maneira que eu era. Não precisei mudar meus modos, meus costumes e meu caráter.
O problema agora é tentar entender o porquê da separação de todo mundo ao meu redor, pois mesmo com alguém do meu lado me ajudando a ter uma visão menos autista do mundo ainda assim nem mesmo meus parentes entendem minhas palavras.
Com a era do ICQ, blog e messenger talvez eu conseguisse me expressar melhor. Tolice minha, pois foi aí que as coisas ficaram piores de vez. Ao invés de me entenderem agora mais pessoas passaram a se distanciar – e isso é o meu questionamento: por quê?
Todas as minhas teorias fracassaram. E agora estou mais confuso do que nunca.
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Essa noite tive um pesadelo. Acordei gemendo falando coisas sem sentido. Assustei o Nathan (meu filho de 9 meses) que estava dormindo do meu lado e fiquei pedindo desculpas a ele por isso. Mas demorou até eu pegar no sono de novo, pois fiquei pensando (e estou até agora) do porquê de eu ter esse tipo de sonho pela segunda vez na vida.
Em todas as vezes (exceto essas duas) em que sonhei com a volta de Jesus sempre estava salvo. Conversava com anjos, voava e tudo – apesar de nunca ver o Senhor em nenhuma dessas vezes – mas sonhar que está perdido é estressante e desolador.
Engraçado que da primeira vez que sonhei isso foi há 21 anos atrás. Eu estava num momento mais íntimo com Deus, mais do que desde meu batismo 7 anos antes, mas mesmo assim o anjo do sonho me falou que faltavam algumas coisas a serem resolvidas e me deu 3 missões que concluí com tanto afinco que nos três casos as pessoas estão nos caminhos do Senhor até hoje.
Desta vez foi diferente, pois não foi me mostrado onde eu estava errando. É claro que não somos perfeitos e com certeza eu sou pior do que você que está lendo isso, mas sempre que erro eu peço a Deus que me perdoe com a intenção de que não vou fazer mais... só que agora eu que tenho que descobrir o que preciso fazer!
A primeira pista que achei foi essa: eu afastei todo mundo e minhas decisões estão conseguindo afastar até minha própria esposa. Que triste! Era pra ser o melhor momento do nosso casamento mas toda vez que vou conversar com ela (pessoalmente ou por texto) é motivo pra briga. Estamos no mesmo barco remando na mesma direção com os mesmos objetivos e quase sempre falando as mesmas coisas mas sempre ela me entende de forma diferente, como se eu quisesse o contrário.
Depois analisando melhor o contexto da minha vida nos últimos anos percebi que da mesma forma afastei amigos, colegas de trabalho, irmãos da igreja e, inclusive, família. Bastou eu (re)lembrar detalhes básicos e comparar com o ‘normal’ pra entender que algo estava errado. Não estou isolado por opção, mas por circunstâncias!
Querem um exemplo simples? Vou usar o Nathan de arquétipo/modelo: sabem quantas pessoas foram visitá-lo quando nasceu? 3... três... os meus sogros e uma cunhada. E só. É claro que outras pessoas foram ver ele dias depois mas acompanhar o nascimento foi só isso... aí eu vejo uma colega da igreja ter um neném na mesma época na mesma maternidade e a quantidade de pessoas que acompanharam pra ver o menino pela primeira vez era incontável... Agora, quase 1 ano depois, não conseguimos fechar uma lista de 30 pessoas pra fazer o aniversário de 1 ano dele – não conseguimos achar pessoas íntimas o suficiente pra participar da comemoração.
Tem algo de errado. Ta estranha essa história. Mas de quem é a culpa? Sim, é minha. Apenas minha. EU sou o responsável pela situação pois deixei acontecer. E os motivos são os mais diversos... Só que ao ponto de tirar a minha salvação, aí está algo que passou a me atormentar.
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Não é por falta de trabalho na obra/igreja. Aliás, por excesso de convites tenho que recusar alguns... é o segundo ano seguido que não tenho cargo/ministério em uma congregação específica mas provavelmente será um ano em que não vou conseguir ficar parado. Estou cantando, tocando, pregando como sempre... mas será que isso basta? O que tenho vacilado? Qual é o motivo desse problema?
É a pergunta inicial: Toda conversa comigo termina em discussão. É isso. Não concordam comigo e me excluem do círculo do cotidiano, me evitam e com o tempo somem da minha vida. Assim eu perco o real sentido de ser discípulo/apóstolo de Cristo: testemunhar.
O problema já descrevi. A causa também. Agora preciso de saber o porquê. Seria impossível descobrir ou teria que fazer pesquisa de campo? Quem sabe perguntar pra cada um porque não me liga mais, não manda mensagem, não visita ou sequer quer saber se estou bem ou não... é complicado???
P•S• Estarei pregando na IASD Ponto Chic em 20/01 e em IASD Jd. América dia 27/01 - ambos as 10:30AM. O tema em Nova Iguaçu será "Conflito de Gerações" e na zona norte do Rio de Janeiro será "Pedras Clamando".